Legal Design: Por que o fazemos?

Meu interesse por inovação vem desde 1990, quando ganhei o primeiro computador do meu pai e, em 1994, comecei minha carreira profissional estudando eletrônica para atuar nesse admirável mundo novo que estava surgindo.

Atuei nas áreas de tecnologia da informação e telecomunicações e, depois de um certo tempo, comecei a me interessar pelo direito. Uni as duas coisas e em 2012 entre para o PK Advogados, um dos escritórios mais admirados e respeitados na área de direito para tecnologia e inovação.

No mesmo ano de 2012, tive a oportunidade de trabalhar como secondment na maior empresa de software do mundo e lá fiquei até 2016. Das inúmeras coisas incríveis que aprendi por lá, a mais significativa foi uma percepção de uma nova visão do departamento jurídico.

Como uma das empresas mais inovadoras do mundo, ela também esperava uma postura inovadora dos seus advogados, mais ágil, mais simples e mais arrojada.

A partir daí, minha visão sobre o direito nunca mais foi a mesma. Isso foi lá em 2015 e, desde então, tenho trabalhado para inovar em serviços jurídicos.

Mudança na expectativa dos clientes

Atuando em um escritório que se propõe a viabilizar tecnologia e inovação, sempre fui exposto a questões incomuns para o mundo jurídico tradicional, tendo muitas vezes, que trabalhar em times multidisciplinares para ajudar o cliente a “colocar o projeto de pé”.

Estruturar contratos envolvendo o uso de software, por exemplo, requer equilíbrio entre texto e elementos visuais para demonstrar de forma clara os fluxos, os pontos de interação, o escopo de cada parte, entre outras nuances dessa relação.

Além disso, mesmo os clientes dos nossos clientes já estão exigindo uma nova abordagem sobre os serviços jurídicos.

As pessoas têm contato diário com o design aplicado em diversos setores, como transportes, hospedagem, alimentação, finanças e educação, e isso gera um expectativa para os demais produtos e serviços que utiliza, ou seja, impecáveis no quesito “experiência do usuário”. 

As pessoas já se cansaram dos jargões jurídicos e dos documentos legais que são desnecessariamente complexos e esperam que os advogados façam uma análise jurídica profunda e complexa, mas transmitam suas descobertas de maneira simples e digerível.

Exemplos de soluções projetadas com Legal Design

Considerando a realidade acima mencionada, de usuários finais cada vez mais exigentes quanto à forma dos serviços jurídicos, muitos clientes já exigem a criação de Políticas de Privacidade mais claras, por exemplo.

É sabido que os modelos atuais de políticas, longas e complexas, raramente são lidas pelos usuários, que as aceitam sem sequer saber o que estipulam. 

Porém, com a entrada em vigor da LGPD, essa realidade terá que mudar, já que o princípio básico da lei é a transparência e a efetividade das políticas no que se refere à comunicação como usuários.

Em outras palavras, isso significa: para estar em conformidade com a LGPD, você precisa ter uma comunicação que as pessoas possam entender – uma verdadeira transformação nas políticas de privacidade longas, complicadas e cheias de jargões!

Isso pode ser resolvido com Legal Design.

Diferentes modalidades de design

No entanto, não são apenas soluções visuais (visual law) que funcionam no Legal Design.

Segundo Margareth Hagan, professora de Stanford e especialista no tema, a função do design é resolver problemas e há ramos diferentes definidos por qual tipo de problema o designer está tentando resolver.

O design visual é o ramo do design que se ocupa da aparência das coisas, e seu foco deriva não do valor estético, mas da funcionalidade para entregar uma mensagem de maneira eficaz às pessoas.

Já o design de produto se concentra em como construir uma ferramenta para resolver o problema de um usuário. O que você pode construir para ajudar uma pessoa a realizar uma tarefa, solucionar um desafio?

Nessa linha, temos atuado também e, muitas vezes, buscamos a aplicação de tecnologia para viabilizar serviços jurídicos mais ágeis e amigáveis, como o Legal DPO, que é uma plataforma de gerenciamento de programas de privacidade, que falaremos mais detalhadamente em outro artigo.

Para não deixar esse artigo tão longo, trataremos mais profundamente em outra oportunidade das demais modalidades de design.

Quais resultados tivemos com o Legal Design

Abaixo vamos listar alguns dos benefícios que estamos notando com mais frequência ao utilizar o Legal Design para solucionar os desafios dos nossos clientes:

  • Clientes mais satisfeitos

Os clientes apreciam os advogados que se esforçam para se colocar no lugar deles. Assim, pensam no que precisam e entregam algo de valor real a eles. A prática de Legal Design também melhora o relacionamento com o cliente, pois aprimora a habilidade de ouvir, se envolver e colaborar com eles para fornecer soluções personalizadas.

Isso aumenta a confiança e a satisfação dos clientes.  

  • Clientes mais engajados

Ao receberem um serviço jurídico mais claro e envolvente, o usuário fica mais confiante sobre seus direitos e obrigações, aumentando engajamento e, consequentemente, a conformidade jurídica.

Além disso, essa mudança também resulta em menos disputas e litígios, bem como em um menor tempo de negociação em caso de divergências.

  • Equipes mais motivadas

O Legal Design também é uma excelente ferramenta para motivar a equipe jurídica, pois existem muitos profissionais com ideias fantásticas sobre algo que pode ser melhorado no direito e na justiça.

O Legal Design oferece a essas pessoas uma plataforma para agir de forma criativa e desbloquear ideias e potencialidades dentro das organizações.

Essas podem ser formas completamente novas de fazer as coisas ou ajustes nos serviços fornecidos e, para times jurídicos internos, isso pode mudar o jogo, pois eles podem se tornar facilitadores, inovadores e criar valor para a sua empresa.

Para saber mais

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