Legal Design: 6 ocasiões onde pode ser utilizado

Na era em que algoritmos colocam todos em bolhas e nos abastecem com os mesmos conteúdos sempre, começamos a seguir pessoas que falam sobre os temas mais modernos da advocacia, como o Legal Design e a impressão que dá é que se trata de um “hype”, palavra de origem inglesa que significa que uma determinada pessoa, ideia ou produto está sendo promovida de forma exagerada, ou, ao menos, com muita ênfase.

Porém, saindo da bolha e do eixo Rio-São Paulo, bem como de centros como Stanford, Paris e Londres, sei que pouca gente realmente domina o assunto e sabe o que, de fato, significa.

A ideia hoje é mostrar algumas das diversas situações onde o Legal Design pode ser utilizado, e comprovar que ele vai muito além do que elaborar um contrato colorido ou algo do tipo.

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O que é o Legal Design?

Em um artigo anterior, que você poder ler clicando aqui, já expliquei que o Legal Design é a aplicação dos conceitos de design centrado em pessoas nos serviços jurídicos, com o objetivo de torná-los mais humanos, satisfatórios e utilizáveis.

Essa é a definição da Margareth Hagan, professora de Stanford e a criadora desse conceito.

Em outras palavras, podemos dizer que Legal Design é um processo criativo em que imaginamos como será o futuro do direito e desafiamos as formas convencionais e tradicionais de fazer as coisas.

É também uma nova forma de solucionar antigos problemas e inovar: como pensar de forma criativa para criar novos produtos e serviços jurídicos e desafiar o que existe hoje?

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Onde utilizar o Legal Design?

Se pensarmos que as pessoas não conhecem os seus direitos, que o acesso à justiça é limitado e que o poder judiciário é pouco eficiente em resolver as disputas que ocorrem na sociedade, chegamos à conclusão que há muitos desafios a enfrentar.

No entanto, com o Legal Design, o profissional do direito começa a pensar e ver o direito de uma maneira muito diferente do que era feito antigamente.

E assim, ele nos permite adotar maneiras estruturadas para entender o que pode ser mudado em nosso sistema jurídico atual e criar inovações para ele.

Veja abaixo como advogados podem pensar como designers e, assim, adotar uma abordagem mais criativa, de mente aberta e colaborativa para buscar novas soluções para antigos problemas:

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  • TREINAMENTO E LIDERANÇA

Um dos principais problemas existentes nas organizações jurídicas de hoje, seja um escritório ou o departamento de uma empresa, é o conflito entre as diversas gerações. Em geral, temos baby boomers convivendo com pessoas das gerações X, Y (ou millennials) e Z.

O Legal Design pode ajudar você a abordar e preencher a lacuna geracional dentro da área jurídica, bem como a treinar uma nova geração de líderes de serviços jurídicos, que conhecem tecnologia e sabem como liderar pessoas de formas mais apropriadas e inteligentes.

Devemos sempre nos lembrar que a liderança atual vai se aposentar dentro de alguns anos e não está preparando a sucessão de forma apropriada.

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  • MUDANÇA DE CULTURA

Outro ponto crítico dentro dos escritórios de advocacia e departamentos é a criação de uma cultura de inovação, como o uso de experimentos, pilotos e estratégias de testes e validação de novas ideias.

O Legal Design pode ser utilizado para criar espaços para experimentação.

O que é crucial para impulsionar uma necessária mudança no mundo dos serviços jurídicos.

E também pode dar alguma autonomia para designers, tecnólogos e pessoas inovadoras que desejam experimentar novas maneiras de fazer as coisas na área do direito.

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  • APRIMORAMENTO DA COMUNICAÇÃO

Como mencionei no início, o desconhecimento dos próprios direitos é uma das realidades mais tristes da nossa sociedade. De fato, para a maioria das pessoas, o direito e as leis são um grande mistério, cujos conhecedores são apenas os juristas.

Dessa forma, o Legal Design pode ser utilizado para comunicar melhor com os clientes e a sociedade em geral, orientando e educando as pessoas sobre as leis de uma maneira mais eficiente, com informações jurídicas simples, envolventes, compreensíveis e aplicáveis.

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  • AUMENTO DO ENVOLVIMENTO

Outra questão que é crítica na área jurídica é o envolvimento. Quem nunca teve a sensação de que aquelas políticas de privacidade confusas e imensas foram feitas exatamente para não serem lidas?

Porém, para as empresas, o objetivo maior é que aquela orientação jurídica seja lida, compreendida e seguida pelas pessoas. Pense, por exemplo, como o caso de uma programa interno de compliance. A empresa precisa que os colaboradores cumpram a política anticorrupção, sem exceções.

O Legal Design pode te ajudar a encontrar formas de incentivar as pessoas a dar atenção para as questões jurídicas, bem como a experimentar um senso maior de justiça quando se deparam com o seu sistema de normas.

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  • MELHORAR A EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO

Pode parecer absurdo, porém em pleno Século 21, há advogados que ainda entregam seus serviços sem pensar na experiência do cliente, tais como os longos e intermináveis pareceres legais que mais se parecem com um livro para, ao final, dar uma resposta inconclusiva ao problema do cliente.

O Legal Design ajuda a entender qual é o caminho certo para encantar o seu cliente, como entregar o que ele de fato necessita e deixa-lo mais satisfeito e como tornar o serviço mais útil e eficiente, atribuindo valores que superam a expectativa do cliente.

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  • MAIS INTELIGÊNCIA COM TECNOLOGIA

Por fim, mas deixando claro que existe muito mais, temos a possiblidade de utilizar as novas tecnologias de maneiras inteligentes para presta melhores serviços jurídicos.

Podemos mencionar, por exemplo, no uso de dados, assistência inteligente e personalização interativa, como formas de oferecer melhores resultados ou uma experiência diferenciada para o cliente.

Em uma sociedade em que as pessoas fazem tudo com o seu smartphone, o direito pode fazer parte dessa gama de serviços que estão disponíveis com um simples clique em um aplicativo. Por que não?

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CONCLUSÃO

Em resumo, podemos até mesmo evitar o uso da expressão Legal Design (se você tiver algum problema com o hype), mas não podemos negar o fato de que o direito e a justiça foram criados para um mundo que já não existe.

E trazer o direito e a justiça para a sociedade atual, em um formato que seu propósito seja realmente alcançado, qual seja, o de pacificar a sociedade, é o papel mais importante do advogado do Século XXI.

Acontece que muitos tentarão fazer isso sem qualquer metodologia e isso só vai resultar em muito desperdício de tempo e dinheiro.

Por outro lado, acredito e quero estimular que outros usarão Legal Design e comprovarão a validade dessa metodologia que foi criada na Universidade de Stanford e já possui diversos cases de sucesso que abordarei em outros artigos.

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Autor: Mauro Roberto Martins Junior

Design Executive Officer do PK Hub

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